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A História do Bar Luiz
Em Cena: Uma esquete para o aniversário de 117 anos

PERSONAGENS:

 

Ary Barroso: André Valli

Estudantes: Alunos do Colégio Pedro II - Unidade Centro

Loyola: Loyola

 

CENA:

 (Ary Barroso toma assento em uma mesa próxima à janela. Imediatamente o garçom lhe serve uma caldereta de chope preto enquanto este faz um reconhecimento do local que lhe é tão familiar. Com um gesto de cabeça, agradece ao garçom que se retira mudo, impassível. Refastela-se com o primeiro e longo gole. Empunhando pedras e pedaços de madeira, com gritos de "Fora Hitler" aproxima-se da entrada um grupo de estudantes em protesto. Ary está pousando o copo na mesa quando percebe a aproximação da barulhenta trupe. Estudantes entram pela porta principal gritando, gesticulando e empunhando paus e pedras. Energicamente Ary Barroso se levanta e trepa na cadeira.)

ARY BARROSO (Com autoridade.)

            Alto lá! O que está acontecendo aqui?

(Estudantes 1 e 2 detêm-se, impedindo que os demais prossigam.)

ESTUDANTE 1 (Surpreso e contrariado.)

            Vamos quebrar este bar alemão!

ESTUDANTE 2 (Exaltado.)

            Esta casa é de adoradores de Hitler! Fora com os alemães!

 (Ao fundo estudantes ainda respondem com um "Fora Hitler!")

 ARY BARROSO (Gesticulando. Mantendo a autoridade.)

            Meus jovens! Pretendem destruir esta casa porque ela ostenta o nome Adolph na fachada? Bem se vê, pela juventude de vocês, que de nada conhecem!

 (Os jovens que entraram alojam-se melhor para ver quem os interpela. Mostram-se inquietos.)

 ARY BARROSO (Empertigando-se.)

            Permitam-me que eu me apresente: sou Ary Barroso. (Observa as reações.)

 (Os estudantes espantam-se. Ouve-se um burburinho entre os jovens que se entreolham. Todos recuam.)

 ESTUDANTE 3 (Dirigindo-se aos mais próximos.)

            O locutor da gaitinha? Torcedor do Flamengo?

 ESTUDANTE 4 (Inclinando-se para o 1º jovem.)

            Quem?

 ESTUDANTE 5 (Olhando de lampreio na direção de Ary Barroso enquanto responde com displicência.)

            O apresentador do programa de calouros da Tupi.

 (Estudantes 1 e 2 entreolham-se indecisos. O primeiro hesita.)

 ARY BARROSO (Solidário)

            Percebo suas intenções e sou solidário ao protesto contra o torpedeamento dos navios. (Recompondo-se e mostrando o lugar) Mas quebrando esta casa, nada se resolverá!

 (Estudante, 1 contrariado, aparenta derrota. O 2º retoma o fôlego)

 ESTUDANTE 2 (Fala para seus companheiros e para Ary Barroso. Efusivo e respeitoso. Motivador)

            Precisamos dar uma lição nestes nazistas!

 (Estudante 4 concorda veementemente com a cabeça)

 ARY BARROSO (Didático e incisivo)

Tomem as ruas! Ergam bandeiras! Falem aos jornais! Façam o presidente ouvir o barulho das ruas se for preciso. Já passou da hora do Brasil se posicionar frente ao conflito na Europa. Mas quebrar, destruir... (Pausa dramática)

 (A estudantada, contrariada e envergonhada,ouve com mudez e atenção o pronunciamento)

 ARY BARROSO (Com veemência)

            Isto é uma impropriedade! Com pândega nada se consegue, e arruaça não combina com protesto! (Docilmente, aponta para as pedras e paus que os jovens ainda seguram) Deponham suas armas. (Compreensivo). Mobilizem-se corretamente, como rapazes de boa família que são. Não envergonhem o nome do seu colégio!

 (Envergonhados e intimidados, os estudantes 1 e 3 escondem as pedras que seguram atrás do corpo)

 ARY BARROSO (Permanece a exaltação)

 Ademais, o nome desta casa que motivou tanta ira e revolta, não é uma homenagem a Adolf Hitler, e sim ao antigo proprietário, Adolph Rumjaneck, o Braço de Ferro, tão carioca quanto cada um de vocês!

 ESTUDANTE 2 (Fala para o 1º, envergonhado)

            Que trapalhada!

            (Agitação e burburinho entre os estudantes. Um grupo volta-se para a porta.)

 ESTUDANTE 1 (Voltando-se para o 2º. Quase murmurando.)

            Vamos sair daqui.

 (Os estudantes retiram-se de cabeça arriada. Arrastando-se. Envergonhados e contrafeitos. Um dos rapazes lança um último olhar para Ary Barroso. Este apenas observa enquanto insinua um leve sorriso. Quando todos se retiram, Ary mantêm-se alguns segundos sobre a cadeira. Sorri com satisfação. Lança um olhar ao redor. Detém-se no quadro de Adolf Rumjaneck sobre o balcão. Próximo ao balcão está o garçom que atendera Ary, assustado.)

 ARY BARROSO (Dirigindo-se ao garçom.)

            Loyola! Diga ao Seu Luiz que é bom ele ir pensando em um novo nome para o Bar! (Toma impulso para descer. Interrompe-se.) Aproveita, e me traz outro chope!

 

Cai o pano

 

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